domingo, 27 de novembro de 2011

Uma revolução na saúde: os cães farejadores de câncer e diabetes

Se este cão se aproximar de você, certamente terá motivos para se preocupar. Conheça o potencial de Daisy, o cão que consegue farejar se você tem câncer.
Daisy (foto acima) é uma labradora dócil e amiga. Anda pelo centro de treinamento com sua jaqueta vermelha com o título “cachorro detector de câncer”. O treinamento da doce cadela de 7 anos é como qualquer outro: avança farejando cheiros e aromas e quando sente algo que deve sinalizar, pára e “informa”, recebendo um biscoitinho em troca.
Tudo estaria na normalidade se não estivéssemos falando de um tumor e não de coisas comuns que cachorros em todo o mundo procuram, como entorpecentes. O olfato dos cachorros pode ser até 100 mil vezes mais aguçado que o dos humanos, e é baseado nesta fantástica habilidade que pesquisadores estão treinando cães que irão revolucionar o modo como diagnosticamos doenças.
Certamente você já viu um cão farejando malas e bagagens no aeroporto, mas o que você pensaria de um cão cheirando seu corpo a procura de uma doença que pode ser fatal? Em janeiro de 2011uma equipe de pesquisadores alemães descobriram que, os cães conseguem detectar câncer de pulmão, apenas treinados com o ar de dentro das salas de pacientes com esta doença. Os cães na pesquisa conseguiram acertar 71% das vezes.
Jornais da Inglaterra noticiaram recentemente um caso bastante curioso. A aposentada Maureen Burns viu sua cachorra repentinamente cheirar sua respiração enquanto estava deitada, cutucando insistentemente seu seio direito, como se quisesse arranhar. Intrigada com o fato nunca antes visto, procurou a equipe médica que havia feito exames um mês antes, sendo diagnosticada com um pequeno câncer de mama em estágio inicial.


Uma pergunta inconveniente fica no ar: não seria muito “maluco” achar que os cães poderiam cheirar você e encontrar um câncer? Talvez soe um pouco estranho, mas existe base científica. Pesquisadores belgas descobriram que o câncer produz substâncias bastante voláteis (que tem capacidade de evaporar) sendo possível treinar os cães com estas substâncias.
Não se preocupe achando que você irá em um hospital no futuro e encontrará um cão com nariz gelado e frio lhe cheirando. Cientistas precisam de mais provas se realmente todo tipo de câncer libera substâncias voláteis, identificar que substâncias são essas, se essas substâncias variam dependendo dos estágios encontrados e se fatores externos provocam mudanças no “odor”. Quando isso acontecer, o plano primordial seria a criação de uma máquina com nariz eletrônico, mais potente que o olfato dos cães e com chance de erro praticamente nulo.
A responsável pelo treinamento da labradora Daisy, afirma que as pessoas se enganam achando que os cientistas pesquisam com cães julgando que eles são melhores que as máquinas. Já existem máquinas no mercado que conseguem “cheirar” objetos e identificar se existe ou não cocaína nas amostras coletadas. O que os pesquisadores querem de fato é reproduzir o que já existe em situações médicas, como a detecção de câncer, evitando métodos tão invasivos e dolorosos como ocorre em algumas biópsias.

O olfato do cachorro pode ser 100 mil vezes mais aguçado que o nosso. Foto: Reprodução/Wired
Os métodos usados, geralmente são bastante invasivos, e enquanto não surge a tão sonhada “máquina de cheirar câncer”, os pesquisadores utilizam os cães como uma base de sustentação de pesquisa, pois é mais agradável você assoprar no nariz de um cachorro ou doar sangue e/ou urina para que ele cheire do que você passar por um método em que terá de ser pinçada uma pequena parte de algum órgão.
"Os cães conseguem identificar com sucesso quando a taxa de açúcar cai em seu sangue."
A questão do olfato dos cães é algo que chama atenção há décadas. Muitas pessoas relatam que seus cães ficam eufóricos quando seus donos ainda estão na esquina: é como se eles pudessem sentir de longe o cheiro! De fato isso é verdade. Os cães estão sendo pesquisados para uso em diagnósticos não apenas em câncer, mas também em diabetes, podendo reconhecer através do cheiro se existe baixa na quantidade de açúcar no sangue de uma pessoa, podendo avisá-lo quando isso ocorre, evitando que narcolépticos (pessoas com distúrbios graves no sono) ou hipoglicêmicos tenham ataques.
Apesar de soar como ficção, os pesquisadores afirmam que tudo tem base científica. Até o momento, o que é usado em alguns países com 95% de acerto são os cães que detectam o nível de açúcar no sangue de seus donos. Os cientistas estão trabalhando para tornar isso possível sobre os vários tipos de câncer que podem existir em humanos, permitindo um diagnóstico rápido, eficaz e sem dores.
No centro de treinamento de cães farejadores de câncer, na cidade de Buckinghamshire, Reino Unido, existem 10 cães atualmente sendo treinados. Eles não ficam o tempo todo no centro, todos possuem casas e donos, e passam na instituição apenas 3 vezes por semana.
Até agora os cães são treinados para identificar câncer de bexiga, obtendo sucesso de 85%. O centro pretende agora treinar outros cães, a partir de 9 meses de idade para identificar outros tipos de câncer, começando pelo de próstata.
Fonte: jornalciencia.com

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