domingo, 20 de novembro de 2011

Universidade afro-brasileira começa a mudar perfil de cidade no Ceará


Seis meses após a inauguração da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), a cidade de Redenção, com 26.700 habitantes sente os primeiros efeitos da instalação do campus. Com 360 alunos matriculados, sendo 322 de cidades vizinhas e 38 estrangeiros, o município teve aumento de 11% no fluxo diário na rodoviária municipal e vive a expectativa de receber novos 5 mil alunos, com a construção de um novo campus.
Com a ampliação, a coordenadora de extensão da Unilab, Sâmia Maluf, afirma que a escola de ensino superior vai receber alunos dos 13 municípios do Maciço do Baturité, no Ceará.  A proposta da universidade é integrar alunos de países de língua portuguesa. Redenção foi escolhida pelo Governo Federal para abrigar a Unilab por ter sido a primeira no país a libertar os escravos.
Aluno da Unilab, universidade de redenção (Foto: Andre Teixeira/G1CE) 
Rodriguez saiu de Guiné Bissau para estudar no
Ceará (Foto: Andre Teixeira/G1 CE)
Os estudantes que chegam à cidade já citam a especulação imobiliária. Faustino Rodriguez, de 26 anos, veio de Guiné Bissau para estudar administração pública na Unilab. Ele divide com outros cinco amigos um apartamento de 55 metros quadrados, com aluguel mensal de R$ 600, considerado alto para cidades pequenas no interior cearense. "A condição difícil vale o esforço. A faculdade vai me ajudar a realizar meu sonho: retribuir com meu trabalho a ajuda que recebi", diz o estudante de administração pública.
Rodriguez já faz planos de permanecer no país após a graduação, para fazer mestrado e doutorado. Ele conta que seu país de origem tem apenas universidades particulares e ele não tem condição de financiá-las. Na Unilab, recebe duas refeições e uma bolsa de R$ 335 para despesas com moradia.
Joana e alunos da Unilab, universidade do interior do CE (Foto: André Teixeira/ G1) 
Alunos estrangeiros e Joana Feitosa, moradora de
Redenção (Foto: André Teixeira/ G1)
Para Joana Feitosa, 23 anos, aluna de agronomia na Unilab, a chegada de uma universidade em Redenção "expandiu as possibilidades" dos moradores. ''Antes quem queria continuar os estudos teria de ir para Fortaleza ou outro estado e é muito difícil uma pessoa do interior se manter. O que acontecia normalmente era a pessoa terminar o ensino médio e ir para o comércio local. A universidade expandiu essas possibilidades", diz a aluna, natural de Redenção.
Interiozação amplia vagas
O Ceará é o terceiro estado do Nordeste em número de matrículas no ensino superior, de acordo com censo divulgado na segunda-feira (7) pelo Ministério da Educação (MEC). Um dos fatores que explicam a expansão, segundo educadores, é a multiplicação de universidades e faculdades fora da capital. O crescimento de matrículas no Nordeste, de 110%, superou o nacional (128%), entre 2001 e 2010, segundo o Censo da Educação Superior.
Em 2001, havia três campi de escolas públicas fora da Região Metropolitana de Fortaleza. Hoje são 36 campi em cidades do interior do estado, incluindo 22 sedes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), de acordo com informações das universidades.
"A interiorização expandiu as matrículas no Ceará. Antes poucos alunos tinham a perspectiva de seguir nos estudos após o ensino médio'', afirma Sâmia Maluf, coordenadora de extensão da Unilab. As aulas na universidade começaram em maio deste ano com a proposta de integrar países que falam língua portuguesa.
Metade das vagas da universidade são voltadas para alunos de países de língua portuguesa. No entanto, a universidade tem atualmente 38 alunos estrangeiros, de um total de 360. Segundo Sâmia, a tendência é de que nos próximos anos a cota para estrangeiros seja cumprida. "Ainda estamos no começo das articulações com embaixadas de outros países", explica.
A Unilab pretende matricular 5.000 alunos. As obras de um novo campus, o Aurora, estão previstas para começar em 2012, com investimentos de R$ 70 milhões.







Dos 360 alunos da Unilab, 38 são de países lusófonos estrangeiros. (Foto: André Teixeira/G1)

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