quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Angelim: o adeus emocionado de Ronaldo, o herói da simplicidade


O Maracanã em ruínas (está em obras para a Copa) não foi capaz de destruir uma história que teve seu capítulo principal em 6 de dezembro de 2009. Naquele dia, o jogador que quando criança mergulhava em um poço de Juazeiro, no Ceará, para buscar água, bebeu da fonte de ser um herói. Autor do gol do hexacampeonato brasileiro do Flamengo, Ronaldo Angelim, hoje com 36 anos, voltou ao palco que o consagrou. A convite do GLOBOESPORTE.COM, o zagueiro esteve no estádio nesta quarta-feira. Angelim trocou as chuteiras por botas e um capacete. Na cabeça, passou um filme que vale a pena ver de novo. De saída do Rubro-Negro depois de seis anos de amor e serviços prestados, o camisa 4 não conteve as lágrimas. Chorou. Questionado se não levaria uma recordação, disse:
- Estou levando comigo. Está aqui (apontou para a cabeça).
Montagem Ronaldo Angelim (Foto: André Durão/Globoesporte.com)Angelim se emociona ao visitar o Maracanã e recordar o gol do hexa (Foto: André Durão/Globoesporte.com)
Foi pela cabeça de Angelim que o Flamengo marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio que garantiu o título brasileiro de 2009. E é no coração de Angelim que está guardado o amor e devoção pelo clube que o elevou à condição de ídolo.
Na visita ao Maracanã, Angelim recordou o jogo inesquecível. Parou. Olhou para frente. E se emocionou.
- Não tenho dúvidas de que aquele foi o jogo mais emocionante da minha carreira. E agora estou aqui... Emociona porque o gol foi importante e tirou o Flamengo da fila depois de 17 anos. E por eu ser flamenguista também, né? Todos esperavam que Adriano, Pet e Zé Roberto, nossos homens de frente, decidissem. Acabou que fui eu – recordou Angelim, sem conter as lágrimas.
Humilde ao extremo, Angelim abraçou operários da obra do Maracanã. Deu autógrafos. Ficou meio perdido em meio aos montes de terras e entulhos. Disse que por ele seguiria no Flamengo até morrer. Não foi possível.
Depois da entrevista, o zagueiro revelou estar morto de sono. O motivo:
- O churrasco estava bom demais. Fiquei até de madrugada na pelada dos porteiros na Praia de Copacabana.
Angelim é simples assim. Em 2009, depois de virar herói, esperou uma carona na Gávea na rua escura próxima à sede. Enquanto Ronaldinho Gaúcho filosofa que “Flamengo é Flamengo”, o zagueiro vai além: sua única vaidade é ser Flamengo.
Na brincadeira da torcida em alusão aos Ronaldos famosos, uma frase foi lançada: “There’s only one Ronaldo: Angelim”. No português claro, quer dizer: Existe apenas um Ronaldo: Angelim. Ronaldos existem outros muito mais famosos. O Fenômeno, o português Cristiano e o Gaúcho. Mas como Angelim só existe um.
- Em outros clubes, cheguei a reclamar da reserva, no Flamengo nunca fiz isso. Poderia me colocar lá na arquibancada que estaria torcendo do mesmo jeito.
Fonte: globoesporte.com

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