sábado, 17 de dezembro de 2011

Família de Aquiraz transforma esperança em ações de amor para crianças carentes

O Natal é diferente na casa da família Amora, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Todos os anos Antônio, Ângela e uma grande equipe de voluntários dão maior sabor às festas de final de ano de centenas de criança no município e, desta foram, tornam a data ainda mais especial para eles.
No sábado (17), aconteceu pela 7ª vez o “Natal Solidário da Família Amora”. A iniciativa, como a maioria dos gestos solidários, partiu da vontade de ajudar aquele que mais necessita pelo menos uma vez no ano.
Cerca de 250 crianças carentes atendidas por creches da comunidade de Pereiral, em Aquiraz, são cadastradas e ganham de presente uma fabulosa noite com a presença de Papai Noel. Diversão, biscoitos, bombons, picolés e muitos brinquedos fazem o Natal dos pequenos ser inesquecível. Mas para chegar a tal resultado o caminho não dispensa a força do trabalho.
Padrinhos
Todos os anos, a família Amora sai a caça de “padrinhos” para as suas crianças. Parentes, amigos, colegas de trabalho, dentre outros, são literalmente convocados a contribuir com o mínimo para o Natal das crianças de Aquiraz.
Segundo Antônio Amora, “os padrinhos participam com pequenas doações de brinquedos que custam entre R$ 15 e R$ 20”. Alguns deles ajudam com quantias em dinheiro. E, de acordo com o patriarca da família, a ajuda vem de lugares inesperados.
“Pessoas de várias partes do país conhecem nosso trabalho e participam da campanha”, se refere Antônio sobre uma grande leva de brinquedos recebidos do Estado de São Paulo. Alguns dos “padrinhos” doa de 5 a 10 objetos.
Mas na primeira edição tudo era diferente. A família Amora começou somente com a vontade de transformação de vidas. Em 2005 apenas 45 crianças tiveram o gostinho de participar da festa. Hoje esse número subiu para 252.
Não só brinquedos
Antônio conta que a campanha é aberta e todos podem participar. Quem não pode fazer uma doação pode contribuir com o trabalho voluntário. Qualquer tipo de ajuda é bem-vinda, visto que a grande magia do natal está na propagação do espírito solidário.
A campanha conta com ajudas inusitadas, mas que enchem de orgulho seus organizadores. “Fábricas fazem doações de biscoitos, o dono da padaria manda alguns produtos para o lanche, até a orquestra que se apresenta na abertura do evento também é voluntária”, afirma.
O Papai Noel também é incluso no pacote de filantropia. Todos são pagos com os sorrisos e a alegria espontânea dos participantes. Os pais, que nunca puderam oferecer tal presente aos filhos, também são inclusos na festa e esboçam a mesma felicidade infantil.
Questão de humanidade
O casal Amora doa para as crianças o que não tiveram na infância. “Nós sentimos na meninice o que é ficar sem presente de natal”, diz Antônio. O organizador da festa também conta que a sociedade espera demais do poder público e pouco faz para melhorar a vida do próximo.
“A solidariedade mora no próprio espírito do voluntariado”, lembra Antônio quando faz uma crítica ao espírito que toma a todos na época natalina. Ele complementa dizendo que “não basta manter o espírito solidário apenas no Natal, mas durante todo o ano”.
Antônio reitera as palavras do antropólogo Antônio Mourão que diz que tais atitudes podem ser superficiais: “Logo que passe o período natalino, tudo fica esquecido e volta-se para outra realidade: o da competição, da acumulação de riqueza, etc”.
Precisamos estar mais atentos ao espírito que nos faz unidos neste mundo. Temos de estar alertas para o que o nosso semelhante necessita, visto que sem a referência de um próximo seremos sempre inacabados na árdua tarefa de sobreviver. A humanidade se constrói por meio da solidariedade. E como diz o senhor Antônio, protagonista desta campanha, “no mundo dos seres humanos falta, sobretudo, humanidade”.


Fonte: Jangadeiro online

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