terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Francisco Julião e Agassiz Almeida recebem o reconhecimento histórico de Câmaras de Vereadores.



De acordo com o projeto de nível nacional de Resgate e Memória para a História do país de personalidades que resistiram à Ditadura Militar de 64, cujas vidas  se  incorporaram aos movimentos políticos sociais,como Carlos Marighella, Djalma Maranhão, Seixas Dória , Gregório Bezerra, Clodomir Morais, João Pedro Teixeira, Pedro Fazendeiro, Carlos Lamarca, a Câmara de Vereadores de Guarabira, PB, reunida em caráter especial e atendendo à  propositura do vereador Beto Meireles, concedeu  aos ex-deputados federais e escritores Agassiz Almeida e Francisco Julião, este “in memoriam,” a medalha  Dom Marcelo Carvalheira .

                     Com o auditório da Câmara de Vereadores completamente lotado e a  participação de representativos nomes da sociedade  paraibana, que integraram a Mesa da sessão, entre os quais Alexandre Eduardo, secretario adjunto  da Secretária de  Agricultura, representando o Governador Ricardo Coutinho, o juiz de direito Antônio Amaral, Laura Aquino,  em nome da família de Osmar de Aquino, e Agassiz Almeida Filho , representando a UEPB, além do sociólogo Anacleto Julião, filho do homenageado Francisco Julião, Guarabira viveu movimentada solenidade .
                      Antes, em dias anteriores,  as Câmaras de Vereadores de Sapé e Mari, PB, realizaram sessões homenageando  estas lideranças históricas.

             Discurso aguardado com interesse por sua vinculação às lutas políticas de Guarabira, Agassiz Almeida recordou os seus laços políticos e de  amizade  com Osmar de Aquino, deputado constituinte de 1947, como Agassiz o fora  em 1988.     Prosseguindo, acentuou o orador: “A abolição dos escravos, em 13 de maio de 1888, veio da pena de uma princesa; a libertação dos camponeses, 70 anos depois, foi conquistada com sangue, suor e mortes,  após a criação das Ligas Camponesas de 1954 e 1958, na Galiléia, PE, e em Sapé, PB.
                      “Foi  em Sapé  e na Galiléia, em Vitória de Santo Antão que, há mais de meio século, as Ligas Camponesas  nasceram, cresceram e estenderam este grito de libertação para o Brasil: O camponês não será mais escravo de ninguém.
 “Aqui, nesta região, mobilizou-se na segunda metade do século XX o mais vigoroso movimento de massa camponesa da América Latina.
                    O que nos falam aqueles 50 anos passados? Homens rudes e simples, às centenas, carregados de sofrimentos, marchavam para se libertar de quatro séculos de latifúndio.
                   -  Para onde ides camponeses ?- Gritou um sacerdote.
                   -  Vamos lutar pela liberdade e por terras para trabalhar.
Há na vida dos povos, como na dos homens, momentos de inspiração soberana. Vi, nesta região, multidões de camponeses carregarem o vigor das grandes indignações .
                      Imaginai as ruas e campos destas regiões cinqüenta anos atrás. Camponeses,  às centenas, condenados a uma forma de vida pior do que a  escravidão . Faces descarnadas e pálidas. Olhares temerosos. Passos trôpegos. Semblantes a estamparem velhice precoce, em corpos esquálidos e famélicos.
                      Como encontramos o camponês nas várzeas férteis do Nordeste? Num cenário desolador. Crianças em torno de 8 a 10 anos arrastadas ao eito da  cana-de-açúcar , jovens envelhecidos aos 20 anos.  Aos 30, abatidos pela morte.
                    Que tarefa nos impusemos!
                    Primeiro, derrotamos esta cultura da passividade cruel: “Deus quis assim.” Depois, vencemos o medo do latifúndio. Por fim, apontamos aos camponeses que eles precisavam lutar pelos seus direitos e por terra para trabalhar. Esta foi, decerto, a revolução camponesa que desencandeamos.       
                     Que drama de profunda dimensão!
 Legiões de campesinos egressos de pesadas  iniqüidades que séculos de opressão lhes lançaram, gritavam por liberdade .”
                       Com a palavra, o sociólogo Anacleto Julião destacou: “Francisco Julião e Agassiz Almeida, ao lado de outras  lideranças, fizeram a revolução camponesa no Brasil, cujo grande objetivo  foi, sem dúvida,  romper quatro séculos de opressão latifundiária. Depois deste movimento revolucionário, o camponês se investiu na condição de cidadão, com direitos e deveres”.
                          Em Sapé, durante a sessão da Câmara de Vereadores reunida com o mesmo propósito de homenagear  aqueles vultos históricos, Anatólio Julião, representando seu pai, em brilhante discurso exaltou  o relevante papel que desempenharam Francisco Julião e Agassiz Almeida  ao desafiar as forças latifundiárias no Nordeste,  e apontar  aos milhares de camponeses os caminhos da liberdade.
                          Encerrando a sessão, o vereador Beto Meireles, liderança vigorosa e renovadora  de Guarabira, relembrou a importância para a história das lutas camponesas no Brasil de personalidades como as de Francisco Julião,  Agassiz Almeida, João Pedro Teixeira, Gregório Bezerra, Pedro Fazendeiro e Clodomir Moraes  .

 
“A libertação dos camponeses foi conquistada com sangue, suor e mortes”
                          Centro de Referência dos Direitos Humanos

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