terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Viúva de Luís Carlos Prestes entregará lista com nome de 233 torturadores

Rio de Janeiro - A viúva de Luiz Carlos Prestes, Maria Prestes, de 81 anos, vai doar nesta terça-feira ao Arquivo Nacional o acervo que guarda do marido. Entre as fotos e documentos está o “Relatório da IV Reunião Anual do Comitê de Solidariedade aos Revolucionários do Brasil”, de fevereiro de 1976, que traz os nomes de 233 supostos torturadores em um de seus capítulos.
A imagem do documento está disponível no site da “Revista de História”, da Biblioteca Nacional.
A lista foi elaborada em 1975, por 35 presos políticos que cumpriam pena no Presídio da Justiça Militar Federal, entre eles o ex-presidente do PT e assessor do Ministério da Defesa, José Genoino, e o ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos Paulo Vanucchi.

A entrega do acervo - composto por documentos sobretudo do período de 1970 a 1990 - acontece no dia em que Prestes faria 114 anos.

Os documentos vão se juntar a cópias de três manuscritos doados ao Arquivo Nacional, em 2010: uma saudação ao Congresso Antiguerra em Montevidéu, de 1933; um texto para a imprensa partidária, de 1935; e anotações sobre o Brasil, com análise de jornais brasileiros, de 6 de março de 1935. Também há 34 documentos da Internacional Comunista. Os originais estão no Arquivo do Estado Russo de História Política e Social, em Moscou.

Maria Prestes também vai doar fotos do marido. Algumas mostram Prestes em momentos de lazer. Uma delas, a do líder comunista na praia, vai ilustrar a capa da “Revista de História” deste mês. A divulgação da imagem irritou a filha de Prestes com Olga Benário, Anita Prestes, que criticou a viúva do pai.

Em nota divulgada na coluna de Ancelmo Góis no dia 31, Anita disse que Maria "não tem direito de dispor do acervo sem que eu seja previamente consultada, pois também sou herdeira". A filha do comunista protestou contra a publicação da foto do pai tomando banho de sol.

— Isto constitui um desrespeito à sua memória e à sua vontade, pois todos que com ele conviveram sabem que Prestes jamais concordaria com tal divulgação. Ele era um homem sóbrio, que não admitia confundir sua vida privada com sua atuação pública.

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