domingo, 25 de março de 2012

Mulheres no Futebol


Rio -  O que uma mulher entre 21 e 30 anos faria depois de um longo dia de trabalho ou de estudos? Navegaria na Internet, assistiria a mais um capítulo da novela ou sairia com os amigos? Nenhuma das opções. Nas areias e campos espalhados pela cidade, cada vez mais garotas se reúnem para jogar futebol. O negócio delas é correr atrás da bola, tentar ganhar da marcação, dar belos passes e fazer gols durante as peladas.

Cada uma com a camisa de seu time de coração, elas mostram que entendem, e bem, do assunto. E tudo isso, claro, sem perder a vaidade. Brincos, unhas pintadas e cabelos bem arrumadinhos por tranças fazem parte do uniforme delas, que acabam chamando a atenção não só por suas jogadas.
Virou uma situação normal receber assovios em vez de aplausos a cada gol marcado. Oshomens que as prestigiam na plateia não conseguem esconder a admiração pelo belos times de mulheres, compostos por fisioterapeutas, jornalistas, médicas e advogadas.

Fernanda Brasil, 28 anos, assessora de imprensa, joga bola desde a sua infância por influência do pai, que a levava para acompanhar as partidas de futebol. “Meu pai achou em mim o filho homem que ele não teve”, diverte-se.

Já a publicitária Julia Abreu, de 24 anos, acabou virando exemplo para o irmão mais novo, que volta e meia a convida para bater uma bolinha. “Aquelas brigas de irmão não acontecem entre a gente. A não ser quando o assunto é time, porque eu sou Flamengo e ele é Fluminense”, diz.

E, apesar de ainda acharem que existe um longo caminho a ser percorrido, as peladeiras concordam que o futebol feminino está crescendo no Brasil. “Atualmente, a reação das pessoas quando eu falo que jogo futebol é positiva. Elas acham interessante. Mais até pela curiosidade de ver uma mulher jogando do que pelo esporte em si. Hoje, o futebol feminino é ‘cool’. Mas, embora o esporte esteja crescendo,ainda não atingiu muita gente”, avalia Julia, que faz parte de um time de 17 meninas.

Casada, a gaúcha Diana Goulart, de 29 anos, tem mais quatro irmãs e joga desde os oito anos de idade. “Quando comecei, minha mãe ficava preocupada com o que os vizinhos iriam falar. Mas, como não tinha menino na família, a função ficou para as garotas, que acabaram jogando melhor que muito homem”, revela. E, enquanto Diana está na rua, batendo bola com as amigas no Leblon, o marido fica em casa aguardando. “Meu marido não joga nada e os amigos dele brincam que eu tenho que ensiná-lo”, diz.

E se engana quem pensa que, por se tratar de futebol feminino, a marcação pesada e as entradas de carrinho estão fora de campo. Quando a mulherada entra toda na TPM, a pelada fica mais violenta do que a dos homens. É o que garante o treinador de um time feminino, Diego Nobre, professor de Educação Física. “Elas reclamam e discutem mais nesse período do mês”, confessa o técnico, que se tornou expert no universo delas. Além dos coletes de treino cor de rosa, Diego ainda anda equipado com um saco de elásticos de cabelo. “Como sempre tem alguém que esquece, fui ao Centro comprar chuquinhas”.

Rituais fora de campo

Assim como os homens, depois de cada partida muitas meninas aproveitam para colocar as fofocas em dia e vão a um bar para tomar um chopinho — programa que não incomoda os maridos e namorados, garantem elas. “O homem que estiver comigo sabe que eu jogo bola e que faço parte de um time. Ele terá que entender o meu esporte”, avisa a fisioterapeuta Marcela Blume. “O mesmo vale para o treinador!”, avisa Diego, sempre cercado pela mulherada. 




Foto: Felipe O'Neill / Agência O Dia

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