terça-feira, 6 de março de 2012

PNEUMONIA DE LULA: Tratamento deve durar até 14 dias


São Paulo. O oncologista Artur Katz, que integra a equipe que cuida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informou ontem que o tratamento contra a pneumonia de Lula deve durar até duas semanas, o que não significa que ele permanecerá internado ao longo de todo esse período, no Hospital Sírio Libanês.

"Normalmente são de 10 a 14 dias de antibióticos, mas não obrigatoriamente esse período (de tratamento) se dará no hospital. Uma vez consolidada a melhora ele pode tomar os antibióticos em casa", disse o médico.

De acordo com Katz, Lula foi submetido ontem a uma tomografia que não detectou a presença do tumor na laringe. Mas o exame que vai comprovar o sucesso do tratamento só será feito após a melhora da inflamação e do inchaço na garganta.

Lula foi internado domingo (4) com febre baixa e com dificuldade para engolir. Segundo o médico, o ex-presidente já se sente melhor e vem respondendo bem ao tratamento. Katz contou que Lula não sente mais dor para engolir, apenas um desconforto. "A dor maior foi ter visto a derrota do Corinthians ontem", disse.

Timão

Na manhã de ontem, segundo interlocutores, o ex-presidente estava animado, comentou sobre as notícias dos jornais e fez brincadeiras a respeito do jogo entre Corinthians e Santos, no qual o seu time perdeu.

Segundo o médico, a pneumonia é uma reação considerada natural ao tratamento que provocou a redução da imunidade de Lula, além de queda de peso e de seu ânimo geral.

Os efeitos da quimioterapia e radioterapia podem durar de três a quatro semanas após o término das sessões e a melhora é gradual. "O tratamento ao qual o ex-presidente foi submetido é extraordinariamente pesado", ressaltou Katz. "Em alguns aspectos, a tolerância do ex-presidente foi até muito maior que a da maioria das pessoas", disse.

Pacientes com câncer submetidos a tratamentos agressivos normalmente têm queda de imunidade e sofrem infecções, confirma Daniel Herchenhorn, Chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O oncologista Ricardo Teixeira, também falando em tese, confirma que a infecção de Lula é comum em pacientes em tratamento de câncer.

Sem visitas

Katz disse que a restrição às visitas foi necessária para evitar que o ex-presidente faça esforço para falar. A decisão de Lula não ser visitado tem o aval da ex-primeira dama Marisa Letícia, que quer que ele poupe a voz. Na manhã de ontem, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) foi impedido de ver Lula. O ex-presidente receberia ontem também o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). "Não é hora de falar em eleições", disse Eduardo Campos.

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