segunda-feira, 5 de março de 2012

'Quero meu amigo', diz morador de rua queimado no Distrito Federal

O morador de rua Paulo César Maia, que foi queimado  junto com um amigo que não resistiu aos ferimentos, em Santa Maria, no DF, no dia 25 de fevereiro, completou 44 anos neste domingo (4). Perguntado pela irmã se queria bolo de aniversário, pediu o amigo de volta.
O desejo foi expressado durante visita da irmã de Paulo César, Isabel Maia, em um dos poucos momentos em que o homem estava acordado. Ele pediu água e, na sequência, perguntou: “Não pegaram nenhum deles?” Depois, chama por José Edson Miclos, o amigo morto no ataque do dia 25. “Eu quero meu amigo.”
As duas vítimas não tiveram chance de se defender. José Edson Miclos de Freitas, de 26 anos, foi enterrado no dia 28 de fevereiro. Desde o dia do ataque, Paulo César Maia está internado em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).
Toda vizinhança em Santa Maria conhecia o Paulo César e o José Edson. Eles viviam nas ruas e há anos se abrigavam embaixo das árvores para dormir à noite. Foi lá mesmo que foram atacados.
Moradores contam que por volta das 22h do dia 25, sete jovens atearam fogo em um sofá onde Paulo César e José Edson dormiam. Eles conseguiram escapar do fogo. Mas, cerca de uma hora depois, três jovens voltaram e, com gasolina, atearam fogo nos dois.
E o que se viu então foram cenas de horror. “O rapaz estava em chamas. Ele rasgou o short. Jogou no chão”, conta uma vizinha.
José Edson morreu horas depois de chegar ao hospital. Ainda teve tempo de falar com os pais. “Quando eu olhei para ele, ele só falou para mim assim: ‘Mãe, não chora. Não chora que a senhora tem problema sério de coração’. Mataram ele assim, queimado. Jogaram gasolina, fogo nele. Ele estava dormindo. Eu acho que nem com um cachorro se faz isso’, lamenta Celimar Miclos, mãe de José Edson.
Com os outros três filhos e o marido, dona Celimar conta que, aos 14 anos, José Edson se envolveu com álcool e drogas. Uma vida de sofrimento. Ele passou por uma clínica de reabilitação, mas não adiantou. Chegou um momento em que preferiu as ruas.
O outro morador de rua atingido teve 20% do corpo queimado. Paulo César Maia está internado em um quarto na ala de queimados do Hran e passa por um tratamento que é difícil e delicado. Em meio a tudo isso, ainda enfrenta mais um problema: é usuário de drogas e entrou em crise de abstinência. Agora, tem que passar a maior parte do tempo sedado.
Paulo César teve queimaduras profundas que atingiram músculos. Ficou queimado no rosto, no abdômen, nas pernas e em um dos braços. O médico conta que as feridas já infeccionaram, como é comum em casos assim. O sofrimento dele está longe do fim.
“Ele é um paciente que está estável, dentro uma gravidade e requer muitos cuidados. Ele corre risco de morte ainda”, informa o médico Paulo Feitosa.


Fonte: G1.com

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