sábado, 3 de março de 2012

TABULEIRO DO NORTE: Lojistas fecham comércio em protesto à insegurança

Tabuleiro do Norte. O comércio fecha às portas hoje em protesto contra o medo de ter que fechar de vez devido à violência. Em Tabuleiro do Norte não há juiz, nem promotor de Justiça ou mesmo defensor público. Ainda na tarde de ontem, uma troca de tiros entre policiais e um homem identificado por Ednardo Castro Barbosa, 23 anos, resultou em ferimento à bala do rapaz, apontado em tentativa de assalto na área central.

Entre sábado e segunda-feira última foram sete assaltos a estabelecimentos comerciais, incluindo a agência dos Correios. Cerca de 140 comerciantes fazem hoje protesto por segurança. Uma carta de propostas será debatida hoje à tarde com a sociedade, e autoridades públicas municipais, estaduais e de segurança. A cidade, com medo, já pensa até em toque de recolher para os menores de idade.

O Município não tem um juiz permanente desde que a sua juíza foi ameaçada de morte e os pistoleiros deram até o dia em que a matariam. Por medida de segurança, foi remanejada pelo Tribunal de Justiça para outra região. Uma força-tarefa com policiais de vários cantos do interior e da Capital fez prisões, recolheu armas e até desarticulou o suposto plano de assassinar a juíza. Mas depois da "mega operação", que incluiu até helicóptero, o resultado de prisões e apreensões ganha repercussão nos jornais, o excedente policial vai embora, e a cidade volta à rotina. De medo. Com o seu efetivo reduzido de policiais e embora com uma população de aproximadamente 30 mil habitantes, Tabuleiro do Norte tem uma demanda criminal comparável à de Municípios com o dobro de habitantes, como Morada Nova.

Mas depois que no último sábado a casa lotérica foi assaltada, e dois dias depois um "assaltante solitário" fez uma "visita armada" à agência dos Correios, em seguida assaltou dois postos de combustíveis e, depois, um mercadinho. Foi um "arrastãozinho", conforme se expressou um policial à reportagem, por telefone. A próprias Polícias Militar e Civil ressentem-se do baixo efetivo de agentes e da demanda de trabalho que os crimes geram.

Manifesto

Por essas e outras questões os comerciantes fazem manifesto e realizam audiência pública para tratar da segurança. Dentre as pautas de reivindicação, a maioria já é de deveres do Estado: policiamento ostensivo nas ruas, blitz, busca de armas, fiscalização em bares e aumento de efetivo militar. Outras solicitações são a contratação de defensor público, promotor de Justiça e juiz. Sugere-se também a criação de uma guarda municipal, do serviço de disque-denúncia e a formação de uma Comissão de Combate à Violência. Também serão discutidas outras medidas restritivas (e polêmicas), como a proibição do uso do capacete fora da moto e toque de recolher para os menores de 18 anos.

"Essas propostas não estão definidas, não há consenso ainda, mas a audiência é justamente para podermos colocar nossos posicionamentos e quais são as nossas reivindicações", afirma o comerciante Denniberg Costa e Silva. Dono de uma farmácia, ele diz que funcionários e mesmo clientes dos vários comércios da cidade ficam tensos com a criminalidade. A Prefeitura diz apoiar a manifestação dos comerciantes e que há um projeto elaborado para a área de segurança que inclui a instalação de câmeras em pontos estratégicos com fins de monitoramento.

Mais informações:
Audiência Pública para discutir o combate à violência
Horário: 15 horas
Local: Associação Recreativa Tabuleirense

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