quinta-feira, 5 de abril de 2012

Clínica que aplicava ‘falso silicone’ no Rio de Janeiro era clandestina


Rio -  A Vigilância Sanitária informou que a clínica em Bangu onde Fernanda Ouverney Valente, 25 anos — acusada de aplicar um coquetel com silicone industrial em três mulheres da Baixada — atendia suas clientes não tem álvara de funcionamento. Na segunda-feira, a polícia vai ouvir a técnica de enfermagem Iris de Lima Vieira, que atuava com Fernanda. Outra mulher, uma loura, que aparece num vídeo feito pelo marido de uma vítima, está sendo procurada.
Fernanda e Iris também são acusadas de “roubar” registros do Conselho Regional de Medicina (CRM) e falsificar receituários para comprar medicamentos. Ontem, cinco pessoas foram ouvidas, entre elas três médicos que tiveram o CRM usado indevidamente. A representante da empresa onde Fernanda comprava polimetilmetacrilato desde 2009, e uma cliente da enfermeira.
O delegado da 64ª DP (São João de Meriti), Alexandre Ziehe, disse que está convencido de que, assim como as mulheres que estão internadas com lesões graves nas nádegas, os médicos também foram vítimas.
Um deles contou que trabalhou com Iris em dezembro de 2010 num posto de saúde e que ela tinha acesso à sua sala. Ele não reconheceu sua assinatura numa receita preenchida pela técnica de enfermagem para uma das vítimas. “Ele se propôs a fazer exame grafotécnico para mostra que a letra não é dele. A Iris preencheu a receita, que já vinha com carimbo e assinatura, na frente da cliente e do marido dela”, disse o delegado, que deve indicia-la por exercício ilegal da medicina.
Preço cobrado incompatível com produto
Se a enfermeira tivesse usado apenas polimetilmetacrilato, conhecido comercialmente como Metacrill, nas nádegas das clientes lesadas ela teria gastado, em média, R$ 7 mil só com o produto. O valor é equivalente a 300 mililitro do produto, o que se calcula que seria o suficiente para dar o resultado esperado às mulheres que procuraram o aumentar do bumbum.
Mas em depoimento, Fernanda disse que cobra R$ 200 por sessão, e as clientes disseram que pagaram entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil. Essa seria mais uma evidência de que o material injetado era uma combinação de produtos mais baratos e, possivelmente, perigosos.
Aquisição desde 2009
Desde de 2009, Fernanda Valente comprava polimetilmetacrilato na empresa RioMedical, como comprovam notas fiscais apreendidas na casa da enfermeira em nome de um médico que era usado como ‘laranja’.
Representante da empresa, Denise Queiroz prestou depoimento e confirmou que o médico nunca apareceu para buscar o produto e que foi Fernanda que deu o nome dele. Ela também afirmou que a venda do polimetilmetacrilato não é proibida para o público, masgarantiu que a empresa costuma fazer consulta ao CRM para saber quem são os compradores.

O dia

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