sábado, 21 de abril de 2012

INDÚSTRIA CANAVIEIRA: Dívida é o principal entrave para funcionamento de usina em Barbalha-CE


Barbalha-CE Mesmo com os últimos estudos em busca de uma viabilidade de funcionamento da Usina Manoel Costa Filho, que já foi responsável por 4% do Produto Interno Bruto do Estado (PIB), neste Município, o cenário para o retorno da produção sucroalcooleiro na região do Cariri não parece tão animador. O principal entrave poderá ser o montante de dívidas relacionados à usina, de mais de R$ 126,5 milhões, entre débitos trabalhistas, fiscais e bancários.


Desde que foi paralisada, o retorno da usina vem sendo debatido. O Governo do Estado acenou com a possibilidade de adquirir o equipamento com ajuda de leilão e da criação de uma cooperativa de produtores, com a viabilidade de alternativas de pagamento, por meio da entidade, das dívidas fiscais e também bancárias.


Com vários processos trabalhistas na Justiça, o leilão poderia ser a saída, mas não pareceu tão animador para quatro dos 30 prefeitos convidados a participar de reunião com secretários de agricultura, produtores do setor, antigos funcionários da Manoel Cosa Filho e técnicos. A reunião aconteceu durante esta semana em Juazeiro do Norte.


Segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário de Barbalha, José Elismar de Vasconcelos e Sá, o maior obstáculo que se apresenta para colocar o projeto em prática é a dívida trabalhista, que chega a R$ 23,5 milhões. Outro aspecto está relacionados aos trâmites judiciários e quem, na verdade, pagaria essa dívida.


Para o secretário, existem diversos fatores que precisam ser examinados, já que, desde o fechamento da usina, em 2005, houve uma queda vertiginosa do cultivo, que chegou a mais de 10 mil hectares, e hoje tem área irrisória, frente à realidade do passado produtor, de 170ha.


A usina, que chegou a ter uma mão-de-obra direta de 1.600 funcionários, e fez de Barbalha o Município de maior arrecadação per capita de 1987 do Estado, amarga o cenário da incerteza.


Reativação


De acordo com o secretário, os técnicos apontam que, para o retorno ao funcionamento, não seriam necessários muitos investimentos. Mas, em contrapartida, não foi apresentado o valor do retorno do funcionamento, durante o encontro de viabilidade socioeconômica, pelo presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana do Nordeste (Unida), Alexandre Andrade Lima. O estudo foi feito a pedido do Governo do Estado, que pretende reativar o setor na região.


As alternativas giram em torno de atuação da cooperativa junto à iniciativa privada, ou até com a Petrobras, frente à perspectiva de aumento da oferta de biocombustíveis no Brasil até o ano de 2015.


Mas, caso essa realidade fosse resolvida esse ano, conforme o secretário de Barbalha, a produtividade seria outro embate. Novas mudas de cana teriam que ser produzidas, teria de haver um apoio técnico para o cultivo, além de condições de financiamentos para os produtores.


Ou seja, precisariam ao menos de mais três anos para alavancar o processo produtivo. O cultivo com irrigação por gotejamento seria uma das alternativas viáveis e econômicas, conforme o presidente da Unida.


Até mesmo os engenhos de cana-de-açúcar, em sua grande maioria, deixaram de funcionar na região. Os pequenos produtores que atuavam nas lavouras, principalmente do Município de Barbalha, passam praticamente todo o ano trabalhando em lavouras do interior de São Paulo e da Bahia. Segundo o secretário, são cerca de 700 trabalhadores rurais que se deslocam para trabalhar na coleta de laranja em Ribeirão Preto ou mesmo no corte da cana no interior baiano.


Alternativas


Ele disse que, no que diz respeito às dívidas com o Estado ou mesmo com os bancos, poderia haver novas alternativas de negociação, para que os cooperados pudessem empreender.


Seriam formas de facilitação desse pagamento para amortecer o impacto da dívida. Conforme o secretário, as iniciativas seriam de grande importância para a cidade de Barbalha.


"Na verdade, a reativação da usina vai depender mesmo de muita força política e boa vontade do Governo", diz Elismar. A cadeia produtiva da cana na região, do plantio à produção, poderá beneficiar entre 10 mil e 20 mil caririenses.


O potencial produtivo da região já chamou a atenção de investidores da Índia, entretanto, o interesse estava bem acima da média do que já foi produzido, que era de 20 mil hectares de plantio de cana.


Mais informações


Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Barbalha


Rua Adão Apolinário, nº 106


Centro - Barbalha/CE


Telefone: (88) 3532.1189


ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER


Diário do Nordeste

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