sábado, 19 de maio de 2012

Delta demite 800 funcionários de obras de transposição de água em Mauriti no CE


A empresa Delta, responsável por parte das obras de transposição das águas do Rio São Francisco em Mauriti, no interior do Ceará, demitiu 800 de 1.000 funcionários na cidade entre janeiro e abril deste ano.
(Correção: o G1 errou ao afirmar que as 800 demissões ocorreram em uma semana. Segundo o Ministério da Integração, as demissões ocorreram em janeiro e feveiro. Parte das demissões ocorreram devido à baixa produtividade em função da falta de produtividade no período de chuvas na região. A informação foi corrigida às 19h07.)
A empresa diz que os contratos foram feitos pela gestão passada da Delta e informou que não vai comentar feitos de outras gestões. A fusão da empresa ocorreu após denúncia de suposto envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, que está preso por suspeita de envolvimento com jogos ilícitos. A Delta informou também que a empresa está passando por uma auditoria.
Com a demissão em massa, os moradores de Mauriti temem queda na economia da cidade. "As obras também trouxeram coisas boas para a cidade: valorizou a mão de obra, melhorou o comércio... enfim, aqueceu a economia aqui. Agora a gente teme que desmorone tudo", diz o desempregado José Carlos da Silva, demitido da Delta.
"Fiquei surpreso, não achava que ia acontecer uma demissão tão grande assim. Todo mundo da minha turma foi demitido", diz o ex-operário Domiciano Teixeira, também demitido da empresa.
Na semana passada, trabalhadores da empresa também reclamavam de atraso no pagamento. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas, as demissões e atrasos são responsáveis pela queda de 42% na rentabilidade do comércio de Mauriti, principal fonte de renda da cidade.
A obra
Os moradores de Mauriti também temem que as demissões atrasem as obras de transposição de águas do Rio São Francisco. A obra de transposição do Rio São Francisco tem investimento previsto de R$ 6,8 bilhões. A previsão é de levará água a doze milhões de pessoas que vivem em regiões de seca em Pernambuco, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará.
O projeto foi dividido em 14 lotes e a maior parte ficou com os consórcios das construtoras. Os trechos que ficaram sob a responsabilidade do Exército estão quase prontos. Neles, no ano passado, o avanço foi três vezes maior que o das empreiteiras no Eixo Norte e cinco vezes maior no Eixo Leste.
Em Cabrobó (PE), os soldados finalizam a barragem de Tucutu. Quando tudo estiver pronto, os militares vão terminar de retirar as plantas de uma área que tem o tamanho equivalente ao de 480 campos de futebol e será transformada em um imenso reservatório com capacidade para acumular quinze bilhões de litros de água.


G1 CE

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